2011 | 01

EDITORIAL

Uma revista que fala de arte e de cultura para além da agenda cultural e da crítica especializada. Uma revista que, livre da urgência do jornalismo diário, se debruça sobre temas e abordagens que muitas vezes são ignorados pelos grandes veículos.

Uma revista que fala de arte e de cultura para além da agenda cultural e da crítica especializada. Uma revista que, livre da urgência do jornalismo diário, se debruça sobre temas e abordagens que muitas vezes são ignorados pelos grandes veículos.

Desses desejos surgiu Marimbondo. Frase da primeira reunião de concepção: “Não sejamos arrogantes. Não teremos como falar do país e nem do estado. Falemos de Belo Horizonte”. Entretanto, a cidade são muitas e jamais conseguiríamos sintetizar aqui todos os seus contextos, nuances, cores e sons. Marimbondo, portanto, é um recorte talvez pouco abrangente dessa realidade. Trata-se do nosso olhar e dos olhares daqueles que com essa publicação colaboraram. Olhares que mesmo amparados por pesquisas podem, às vezes, ainda ser enviesados. Não existem fenômenos generalizados e que afetam igualmente a todos os grupos. Aceitamos, assim, nossa limitação, e não pretendemos trazer “a verdade”. E o que é o jornalismo senão também escolhas subjetivas feitas por editores, jornalistas, fotógrafos e diagramadores?

A cada número da revista traremos um tema. O desta é rua. Para dividir conosco essa edição, convidamos Milene Migliano, menos por sua tatuagem na panturrilha que grita “OCUPE A CIDADE” que por seu interesse pelas culturas urbanas. Durante as discussões iniciais, Milene compartilhou os conceitos de microrresistência urbana e espetacularização urbana. O primeiro diz dos movimentos, mobilizações e gestos que, mesmo por um curto período de tempo, abalam e interrompem os usos dominantes do espaço público. O segundo, dos projetos urbanos contemporâneos que transformam as cidades em cenários homogêneos e pacificados, eliminando a possibilidade da atuação política. Impossível não pensar na arte e nos movimentos culturais não-consensuais como possibilidades de microrresistências que abalam o ideário de uma cidade sem disputas e negociações.

Aliás, vale dizer: essa revista tem uma matéria principal da qual saem várias outras matérias que buscaram aprofundar ou contribuir com um outro olhar sobre os temas, movimentos e fenômenos que elegemos como principais. Uma dessas é sobre o projeto “Torres Gêmeas”, de Recife, que apesar de situar-se para além dos nossos muros, gradis e decretos, compartilha um mesmo território capaz de despertar os sentidos das microrresistências diante dos processos da espetacularização urbana.

Trabalhar graficamente o conceito de hiperlink foi um grande desafio que coube à equipe LAB Design. Todos os que contribuíram nessa primeira edição tiveram a liberdade para realizar, a partir do tema, um trabalho autoral. Nosso desejo é que essa polifonia venha à tona com toda a sua diversidade e, por isso, buscamos interferir o mínimo, preservando a potência dos textos e fotos.



AGRADECIMENTOS
Arquivo Público Mineiro, Débora Fantini, Elias Gibran, Fabrício Santos, Flávia Mayer, Hemeroteca da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, Hilário Figueiredo Filho, Kuru Lima, Leonardo Beltrão, Marcos Barreto, Mariana Misk, Maristela Fonseca, Milene Migliano e Pedro Kalil