2015 | 03

EDITORIAL

Quando nasceu a Revista Marimbondo (um projeto antigo da Canal C, finalmente materializado em páginas impressas e um site), elegemos a arte e a cultura de Belo Horizonte como focos de nosso exercício jornalístico. Tendo como desafio e anseio ir além da agenda cultural e da crítica especializada feita por veículos de imprensa, a cada número da revista elegemos um eixo temático para nortear as escolhas e o trabalho da equipe de editores, jornalistas, fotógrafos e diagramadores. Depois de lançarmos um olhar sobre a “Rua” em 2012 e explorar “Música & Território” em 2015, elegemos inicialmente o Teatro como tema desta terceira edição. Mas quando definimos que os modos e modalidades de resistência seriam o fio condutor de nossa investigação, ficou claro que, dependendo da ortodoxia na interpretação do termo “teatro”, adotá-lo exclusivamente talvez pudesse limitar a escolha de pautas e reflexões. Com o auxílio da pesquisadora, dramaturga e professora Nina Caetano, convidada para ser a coeditora desta edição, chegamos ao conceito de práticas cênicas. Nos dizeres de Ileana Diégues Caballero, “a denominação ‘práticas cênicas’ tenta quebrar a sistematização tradicional e procura expressar o conjunto de modalidades cênicas – incluindo as não sistematizadas pela taxonomia teatral – como as performances, intervenções, ações cidadãs e rituais”.

Dessa forma, Marimbondo chega à sua terceira edição e pretende tratar de práticas cênicas e seus modos e modalidades de resistência. Nesse exercício jornalístico, reconhecemos, mais uma vez, que os caminhos percorridos são alguns em meio a várias possibilidades, dada a diversidade das cenas – algumas ainda não visíveis – que coexistem na vastidão da cidade.

Em um dos caminhos de leitura estão matérias e artigos – todos escritos por mulheres, com exceção de um ensaio que é fruto de uma pesquisa realizada anteriormente ao convite da revista. No outro, ensaios fotográficos, alguns deles exclusivos, e trechos de dramaturgias e cenas ganham destaque especial. É o encontro de diferentes olhares – dos entrevistados, dos teóricos, dos fotógrafos, dos jornalistas, dos pesquisadores – e os diálogos possíveis entre eles que compartilhamos em Marimbondo.

Vale dizer que esta Marimbondo foi produzida com recursos do Fundo de Projetos Culturais da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, um mecanismo de incentivo pelo qual o poder público transfere recursos diretamente aos proponentes dos projetos culturais sem participação da iniciativa privada. Acreditamos e defendemos que o fortalecimento dos fundos é o caminho que as políticas públicas de cultura da cidade, do estado e do país deve seguir.

Agradecimentos especiais a:

Leda Martins, Mariana Maioline, Mariana Misk, Nina Caetano, Viviane Maroca e a todas as pessoas que compartilharam conosco suas reflexões, conhecimento e memória.