2016 | 05

EDITORIAL

Depois de percorrer ruas, praças, becos e outras esquinas da cidade, passando por alguns territórios conformados pela música, lançando um olhar sobre teatro e modos de resistência e aproximando-se da força de um reino negro, Marimbondo chega à sua quinta edição. Antes disso, porém, a revista deu um pulo em Berlim para receber, por seu projeto gráfico criado pela OESTE,  o Red Dot Design Award: Communication Design 2016, um dos principais prêmios de design do mundo. Reconhecida por prezar pelo apuro e pelo rigor técnico, a premiação alemã destaca, anualmente, as melhores campanhas, projetos criativos e soluções de comunicação da indústria internacional do design.

Pela primeira vez, Marimbondo, que se propõe a entrar em diálogo com a arte e a cultura de Belo Horizonte, estabelece uma conversa com um bairro, ou melhor, um complexo. Iniciamos este trabalho com um desejo de escuta e, antes de escolhermos pautas e abordagens, decidimos fazer um chamamento público, abrindo espaço para pessoas que quisessem compartilhar suas próprias experiências, textos, fotografias, poemas, etc. Também convidamos a participar moradoras, moradores e outras pessoas da cidade que de alguma forma se relacionam com a Lagoinha. O primeiro ensaio da revista foi produzido por uma moradora, e é seu olhar que abre nossa caminhada pelo trajeto aqui escolhido.

Dentre as muitas Lagoinhas possíveis, o percurso que traçamos foi por aquela que coloca em diálogo a morte, a festa e o sagrado. Fizemos o exercício de descobrir narrativas que não estivessem presas à dicotomia que reduz o bairro ora a um símbolo de um passado idealizado, ora a um espaço abandonado que clama por revitalização, fruto do ímpeto modernista que guiou a construção da cidade e que apaga memórias, em sua busca incessante por dar lugar ao novo. A Lagoinha está viva e nos convida a entrar. 

AGRADECIMENTOS

Nosso muito obrigada a Adriana Galuppo, Filipe Thales, Julia Guimarães, Paula Lobato, Victor Oliveira e aos integrantes do grupo Teatro Público, que responderam à chamada pública feita por Marimbondo e compartilharam conosco vivências, olhares e afetos sobre a Lagoinha. Agradecemos também a Mariana Misk, Viviane Maroca e ao sambista Lagoinha.